O barbeiro

O sujeito só tinha um braço e senta-se na cadeira daquela velha barbearia.
– Barba e cabelo! – ordena.
Assim que começa a barba o barbeiro faz-lhe um corte no rosto, depois outro no queixo, outro no pescoço; ao acertar o bigode espeta-lhe o nariz; em seguida, começam as tesouradas: no crânio, na nuca, nas orelhas. No final, o barbeiro pergunta:
– Você era meu freguês ha muito tempo atrás, não é mesmo?
– Não, senhor! O braço eu perdi num acidente de automóvel!
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Lembranças da infância

Todas as crianças haviam saído na fotografia e a professora estava tentando persuadí-los a comprar uma cópia da foto do grupo.
– Imaginem que bonito será quando vocês forem grandes e todos disserem: ali está Catarina, é advogada, ou também ‘Este é o Miguel. Agora é médico.
Ouviu-se uma vozinha vinda do fundo da sala (*):
– E ali está a professora. Já morreu.

(*) deve ter sido o Joãozinho