Mistura de macho

Um gaúcho macho, todo paramentado de bombachas, botas, esporas, chiripá (aquele troço que eles usam que parece uma fralda), facas, lenço vermelho e chapéu, chega a um daqueles botecos de madeira do interior, dá uma porrada no balcão que faz tremer as prateleiras e fala grosso:

– Hay pinga nesta merda deste bar tchê? Mas eu quero pinga “prá” macho, forte que nem eu.

Todos se afastam do balcão e o dono do bar, trêmulo diz que tem e que a pinga é da boa.

– Pois bote um copo duplo “prá” mim!

E em seguida pergunta:

– E hay gato nesta bosta de bar?

O apavorado dono confirma, enquanto serve a dose dupla da pinga.

– E onde é que ele caga? – pergunta o gauchão.

– Ali do lado de fora do bar, retruca o bodegueiro.

– Pois vá lá e pegue uma colher de sopa da merda do gato e misture na pinga.

O dono do bar, meio nauseado, faz o que o gaúcho mandou.

– Hay pimenta nesta merda de bar? Mas eu quero pimenta “prá” macho, daquela que faz até baiano chorar! Temos sim, diz o dono.

– Pois bote duas colheres de sopa aqui na pinga, e mexa bem.

O dono do bar começa a mexer a mistura, e não consegue evitar a careta.

– Não estou gostando da sua cara tchê. Tem algum problema? – perguntou o gaúcho.

– É que não consigo imaginar o que pode levar uma pessoa a beber uma mistura destas, respondeu o assustado dono do botequim.

E o gaúcho, em meio a uma súbita crise de choro, responde:

– E que mais pode fazer alguém que acaba de perder o homem amado, tchê?